A famosa lápide do COBOL

Muita gente já viu essa imagem. Ela foi usada muitas vezes em publicações que vaticinaram o falecimento do COBOL e ultimamente tem aparecido em alguns artigos que afirmam justamente o contrário.

O que pouca gente sabe é que isso não é uma arte gráfica: esse objeto existe de verdade e, por trás dele, existe uma história que envolve projetos atrasados, frustrações e competitividade na indústria.

A história

Em 1959, o CODASYL – comitê formado para desenvolver o COBOL como uma linguagem de programação universal – era formado por representantes dos fabricantes de computadores (Burroughs, IBM, Honeywell Labs, RCA, Sperry Rand e Sylvania) e de agências do governo americano (US Air Force,  US Navy e National Bureau of Standards).

Os fabricantes estavam ansiosos para chegar logo a um resultado, pois percebiam que uma linguagem de programação portável e mais fácil de dominar lhes daria uma vantagem competitiva importante, numa época em que os computadores começavam a chamar a atenção de todos os segmentos do mercado.

Mas o trabalho era lento. O comitê se reunia a cada seis semanas, em encontros que duravam de três a quatro dias, onde cada representante mostrava os resultados dos trabalhos que haviam sido definidos nas reuniões anteriores.

Alguns representantes progrediam mais rápido do que os outros. A RCA, representada por Howard Bromberg, era a mais adiantada e já trabalhava numa especificação do COBOL em seu equipamento RCA 501. Mas o comitê não evoluía.

Após uma das reuniões, Bromberg reclamou com Charles Phillips, presidente do CODASYL, sobre a lentidão dos trabalhos e a preocupação da RCA. Phillips, como qualquer presidente de comitê, tentou contemporizar. Bromberg saiu frustrado.

cobol-25th_anniversary-102622705-lg
Festa de comemoração dos 25 anos do COBOL. Howard Bromberg é o que aparece mais à direita. Foto: Computer History Museum.

Sua impressão era que, devido à morosidade dos trabalhos, o COBOL já nasceria morto. Mandou fazer uma lápide de pedra com a figura de “um cordeiro de Deus pronto para o sacrifício” e enviou anonimamente para o escritório de Phillips.

Durante muitos anos, ninguém no comitê soube dizer quem enviara aquele presente de gosto duvidoso nem o que realmente significava.

O destino da lápide

Essa história só foi esclarecida na comemoração dos 25 anos do COBOL, quando o próprio Bromberg contou essa história em seu discurso.

A lápide ficou no escritório de Charles Phillips até ser doado para o Computer Museum of Boston, que depois teve seu acervo transferido para o Computer Museum History, onde está até hoje.

027-01-cobol-tombstone-display
Foto: Computer History Museum

Fonte: http://tcm.computerhistory.org/Timeline/Cobol1985.pdf

 


 

Publicado por

P.A.Dias

Paulo André tem mais de 30 anos de experiência em desenvolvimento e manutenção de sistemas em plataforma mainframe. Atuou como programador, analista, coordenador técnico, gerente e executivo de projetos em uma multinacional da área de Tecnologia da Informação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *