COBOL 60 anos: A contribuição de Grace Hopper

Hagley Museum and Library “Sperry Corpo-ration, UNIVAC Division” collection of photographs andaudiovisual materials. Reproduction is courtesy of theUnisys Corporation.

“O que eu queria ao aproximar a língua inglesa e a programação era trazer outro grupo de pessoas capazes de usar um computador com facilidade e continuei insistindo para a criação de linguagens mais amigáveis.” (Grace Hopper).

Carreira

Se eu tivesse que definir a Contra-Almirante Grace Murray Hopper em apenas duas palavras, provavelmente seriam “ousadia” e “pioneirismo”.

Ela se formou em matemática em 1930 e obteve seu PhD em 1934, na Universidade de Yale. Em 1944, durante a Segunda Guerra, entrou para a Marinha e foi designada para trabalhar no Projeto de Computação da Agência de Embarcações (Bureau of Ships Computation Project), da Universidade de Harvard.

Lá ela trabalhou com Howard Aiken, outro pioneiro da computação, que havia desenvolvido o IBM Automatic Sequence Controlled Calculator, também conhecido como Mark I. Hopper era responsável por programar o Mark I e elaborar seu primeiro manual de programação, com 561 páginas.

Nesta entrevista, de 1983, David Letterman pergunta a Grace Hopper como ela sabia programar naquela época, e sua resposta foi:

– Eu não sabia… era o primeiro computador….

Hagley Museum and Library “Sperry Corpo-ration, UNIVAC Division” collection of photographs andaudiovisual materials. Reproduction is courtesy of theUnisys Corporation.

Em tempos de guerra, ela e seus colegas de laboratório tornaram viável que o Mark I fosse utilizado, por exemplo, para cálculos de trajetória de foguetes, desenvolvimento de armas antiaéreas, calibração de caça-minas e nos cálculos usados por John von Neumann no desenvolvimento da bomba de plutônio.

Com o fim da guerra, trabalhou no desenvolvimento de Mark II e Mark III. Foi numa noite de 1945, trabalhando no Mark II, que Hopper e seus colegas encontraram uma mariposa em um dos relés. Apesar das expressões “bug” e “debug” serem usadas por engenheiros desde o século XIX para descrever defeitos mecânicos, acredita-se que essa tenha sido a primeira vez que o termo foi utilizado na computação.

Hopper logo depois foi trabalhar no desenvolvimento do primeiro computador eletrônico, o ENIAC, da Remington Rand. Trabalhou também com o UNIVAC I, da mesma empresa, onde desenvolveu seu primeiro compilador para uma linguagem chamada “A-0”.

Desenvolveu também uma linguagem chamada Flow-Matic, a primeira linguagem de programação a adotar comandos semelhantes ao inglês. Até então outras linguagens, como o Fortran, utilizavam símbolos matemáticos. Hopper acreditava que programadores que não fossem matemáticos ou engenheiros se sentiriam mais confortáveis com uma linguagem baseada em palavras, não em operadores matemáticos.

Ousadia e pioneirismo.

CODASYL

Nos anos 1950 cada computador tinha sua própria linguagem de programação, frequentemente mais de uma. O Departamento de Defesa dos EUA, até então o maior consumidor desse tipo de tecnologia, num esforço para redução de custos, reuniu os principais fabricantes de computador da época (Burroughs, IBM, Honeywell, RCA, Sperry e Sylvania) e formou um comitê chamado Committe on Data System Languages (CODASYL), cujo objetivo era desenvolver uma linguagem de programação que funcionasse em qualquer computador.

A Sperry já tinha o FLOW-MATIC de Grace Hopper. A IBM tinha o COMTRAN, desenvolvido por Bob Bemer (sobre quem escrevi um artigo disponível aqui). Havia ainda a AIMACO, um dialeto do FLOW-MATIC desenvolvido pela Força Aérea.

O comitê foi formado em maio de 1959 e em setembro do mesmo ano apresentou seu primeiro relatório, apontando os pontos fortes e fracos de cada linguagem.

Apesar da contribuição de muitos e dos naturais atrasos que todo projeto em comitê enfrenta, em dezembro de 1959 foi publicada a primeira especificação do Cobol. Dizem, que ao final, e depois de muita discussão , o Cobol se consolidou como uma mistura do COMTRAN, predominante na especificação da DATA DIVISION, e FLOW-MATIC, que teria influenciado predominantemente a especificação da PROCEDURE DIVISION.

Aposentadoria e Reconhecimento

Grace M. Hopper. Naval History and Heritage Command photograph. Catalog#: NH 96920-KN

Grace Hopper se aposentou da Sperry Range em 1972. Em 1985, com 79 anos de idade, se aposentou da Marinha com a patente de Contra-Almirante. Foi durante muito tempo o mais velho oficial da ativa nas forças armadas americanas.

Tem sido reconhecida e homenageada até os dias de hoje. Recebeu mais de 40 títulos honorários. Em 1991, o presidente George Bush lhe concedeu a Medalha Nacional de Tecnologia, a maior condecoração do governo americano na área de tecnologia. Em 1996, a Marinha deu seu nome a um contratorpedeiro, o USS Hopper. A NERSC (National Energy Research Scientific Computing) deu seu nome a um supercomputador Cray, o Cray XE6 Hopper. Em 2016, recebeu postumamente a Medalha Presidencial da Liberdade de Barack Obama.

Grace Hopper faleceu em 1992 e foi sepultada no setor 59 do Cemitério Nacional de Arlington.

USS Hopper. U.S. Navy photo by Mass Communication Specialist Seaman Dustin W. Sisco

Fonte: Grace Murray Hopper (1906-1992): A legacy of innovation and service. Fevereiro, 2017.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *